O livro As Grandes Constituições de 1762 e 1786, publicado pela Editora No Esquadro, é uma daquelas obras que não se leem com pressa. Ele pede outro espírito: o espírito do Irmão que entende que a Maçonaria não é apenas vivência — é também tradição escrita, memória institucional, e um conjunto de documentos que moldaram, ao longo do tempo, a forma como a Ordem se organiza, se reconhece e se preserva.

É, portanto, um livro para quem deseja sair do “ouvi dizer” e se aproximar do texto, do fundamento e da origem.

Um Documento, Antes de Ser um Livro

Aqui, é importante alinhar a expectativa: esta não é uma obra “motivacional”, nem um manual prático de rotina de Loja. Trata-se de um material documental e histórico, que gira em torno de constituições tradicionalmente ligadas à organização de corpos e sistemas maçônicos de altos graus, especialmente em torno do que muitos Irmãos reconhecem como uma estrutura de ordenação e legitimidade.

E isso já torna o livro valioso: porque onde há documento, há critério; e onde há critério, há menos ruído.

Por Que 1762 e 1786 Chamam Tanto a Atenção?

As datas não estão ali por enfeite. Elas carregam peso simbólico e histórico, e são frequentemente citadas em discussões sobre regularidade, origem e autoridade de determinados sistemas e jurisdicões. Há, inclusive, um aspecto interessante: esse tipo de texto costuma ser, ao mesmo tempo, referência e campo de debate — justamente porque documentos antigos nem sempre chegam até nós sem controvérsias, versões, interpretações e disputas de leitura.

E isso não diminui a obra. Ao contrário: fortalece o estudo, porque obriga o Irmão a fazer o que a Maçonaria mais recomenda — examinar, comparar, refletir e concluir com prudência.

Um Livro para Quem Quer Entender a Ordem “por Dentro”

Há um ponto que muitos só percebem depois de algum tempo: a Maçonaria não vive apenas de símbolos e belas palavras. Ela vive também de organização, de estrutura, de regras, de noções de soberania, de critérios e de limites.

Quando o Irmão se dedica a ler constituições, ele começa a enxergar a Ordem como aquilo que ela também é: uma construção histórica, com continuidade, com adaptações, com marcos e com textos que, de algum modo, procuraram garantir unidade e permanência.

Por isso, este livro interessa especialmente ao Irmão que:

  • gosta de estudar história e fundamentos institucionais;

  • busca entender por que certos termos e estruturas existem;

  • quer formar opinião com base em fonte, e não em repetição;

  • prefere maturidade e critério ao entusiasmo vazio.

O Valor da Edição da No Esquadro

A Editora No Esquadro tem se destacado por colocar nas mãos do maçom brasileiro obras que favorecem um estudo mais sério e menos superficial. E publicar um volume como este é, por si só, um gesto que indica compromisso com o que realmente forma o Iniciado: leitura, fonte, documento e reflexão.

É o tipo de livro que não serve apenas ao Aprendiz curioso, mas ao Irmão que deseja crescer na compreensão da Maçonaria como instituição — com suas linhas de continuidade, suas tradições e suas bases formais.

As Grandes Constituições de 1762 e 1786 é uma obra para o maçom que quer fundamento, não enfeite. Para quem entende que estudar a Ordem também é estudar seus textos, sua memória e seus marcos históricos.

Recomendamos com serenidade — porque livros assim não fazem alarde, mas fazem efeito: ajudam o Irmão a pensar com mais critério, a falar com mais precisão e a caminhar com mais firmeza. E, no fim, é isso que sustenta a verdadeira construção interior: menos opinião solta, mais base; menos pressa, mais constância.